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31/07/2006
Ernst & Young cria uma universidade corporativa no país
Fonte: Valor Econômico
Quando Luiz Guilherme Frazão ingressou como trainee na rnst & Young em 1981,
ganhou uma caneta, um lápis de cor e um bloquinho. Com anos de idade e seis de experiência
profissional adquirida em uma empresa de contabilidade, ele entrou na consultoria para ganhar
metade do que recebia. "Queria investir na minha carreira", lembra. Hoje a companhia que ele
passou a presidir este mês continua tendo um grande poder de atração junto aos jovens. ste ano
foram 30 mil candidatos disputando 50 vagas. A grande questão é como preparar e reter esses
novatos para que no futuro eles ajudem a suprir a falta de auditores seniores que o mercado
enfrenta.
Nos últimos dois anos, segundo Frazão, a consultoria foi obrigada a buscar 660 auditores seniores
no mercado. O aumento dos serviços relacionados à adaptação das companhias às regras da lei
americana Sarbannes-Oxley, relativas ao controle de risco e governança corporativa, somado ao
crescimento do número de empresas que abriram capital no país, fez a procura por profissionais
especializados e maduros crescer muito nos últimos dois anos.
"Mesmo quem não teria a obrigação de adaptar-se à lei americana decidiu se antecipar e
modernizar seus controles internos", diz Frazão. "A tendência é que esses serviços continuem a
gerar novos negócios". A área de auditoria e gestão de riscos representou 65% do faturamento de R$
340 milhões da rnst & Young no último ano fiscal, fechado em junho passado. A companhia
cresceu 5% nesse período. "Tivemos que disputar profissionais no mercado", conta. Nos dois
últimos anos, foram contratados 660 auditores seniores. "Além disso, trouxemos 1 da nossa matriz
para ajudar".
Pensando no futuro, a rnst & Young decidiu, numa ação inédita no setor, criar sua própria
universidade corporativa. O objetivo é acelerar a formação de seus quadros para não ter mais que
buscar tantos talentos fora. "Queremos reduzir em um ano o prazo de aprendizado dos nossos
profissionais", diz Frazão. O tempo médio de maturação de um auditor sênior é de três a quatro
anos, segundo estimativas do novo presidente.
O que deve mudar no ensino dentro da nova universidade corporativa do que já é feito hoje, além
de uma padronização mais aprofundada do conteúdo dos treinamentos, é que as turmas serão mais
enxutas. "Teremos classes com grupos menores, o que facilitará bastante o aprendizado", diz
Frazão. Atualmente, a rnst & Young realiza seus cursos presenciais e treinamentos em hotéis
alugados, que reúnem mais de 100 pessoas por evento.
A sede da nova universidade corporativa, que será inaugurada no dia 5 de abril de 007, ainda não
foi escolhida. "Será em um lugar alugado num raio de 8 km da nossa sede em São Paulo para
facilitar o acesso dos funcionários", diz. A direção do projeto educacional ficará a cargo do
professor Armando Lourenzo. No conteúdo, além de matérias ligadas à consultoria, os alunos
aprenderão sobre liderança, trabalho em equipe, gestão e avaliação de pessoas. O investimento
por aluno na universidade será por volta de US$ 3 mil ao ano. Hoje, a consultoria investe % de seu
faturamento (R$ 6,8 milhões no último ano fiscal) em treinamentos, incluindo os presenciais e os
realizados através de CDs e internet. A consultoria disponibiliza hoje 1,5 mil cursos on-line.
A idéia de criar uma rede de universidades corporativas surgiu na matriz, nos stados Unidos. A
primeira escola foi inaugurada em janeiro. "A falta de auditores seniores lá é ainda maior do que
aqui", diz Frazão. Os escândalos financeiros envolvendo empresas e auditorias nos últimos anos
acabaram tendo um efeito positivo para o setor. Muitas companhias começaram a prestar mais
atenção às suas contas e a requerer mais serviços das consultorias. O resultado disso foi oaquecimento da procura por profissionais tarimbados para atender a essa nova demanda. "Falta
gente", diz Frazão.
Houve uma grande valorização dos auditores especializados em risco. O salário de um Chief Risk
Officer (CRO) está em torno de US$ 15 mil ao mês nos UA. Um profissional deste naipe no Brasil,
segundo Frazão, recebe em torno de R$ 0 mil ao mês. " les estão sendo muito disputados", diz.
No Brasil, a rnst & Young tem 1800 funcionários. São 1 0 sócios, 68 plenos e os outros juniores.
ste ano, foram nomeados 15 novos sócios plenos, que correrão riscos em todos os negócios. "A
idade média dos nossos profissionais é 45 anos, o que é uma média baixa", diz Frazão. Hoje, cada
empregado deve passar por pelo menos 40 horas de treinamento por ano. Com a universidade
corporativa essa carga deve aumentar.
A consultoria patrocina hoje até 80% do custo de cursos de pós-graduação e MBA. "Isso deve
continuar", diz o presidente. Para ser beneficiado, o funcionário deve estar bem colocado nas
avaliações internas . "Temos um sistema chamado "feedback zone" , onde computamos uma grande
base de dados com a performance dos profissionais", explica Frazão. "A cada 40 horas de trabalho,
todos recebem uma avaliação formal".
Cada pessoa que ingressa na consultoria é adotada por um "mentor" que irá aconselha-la ao longo
da carreira. sse método beneficia em especial os trainees, que diferentemente de Frazão, quando
ingressam na empresa ganham um notebook, não um bloquinho. O grande desafio com os jovens,
segundo o presidente, é baixar o turnover que chega a 0% no primeiro ano de companhia.
"Fizemos até um programa com os pais para sensibiliza-los a nos ajudar a reter esses jovens",
conta. Isso porque o trabalho em consultoria requer muita dedicação, o que inclui fins de semana e
até as festas do ano novo, quando as empresas fecham seus balanços. Tanto sacrifício por um
salário inicial de R$ 1 mil. "Alguns não entendiam e cobravam dos filhos mais presença em casa",
diz.
Na nova gestão, Frazão pretende contar também com a cooperação de talentos sul americanos para
preencher seus quadros. "Isso já acontece", diz. Há dois anos, o Brasil coordena as operações de
dez países. O controle da região agora ficará sob o comando de Jorge Luiz Menegassi, que antes
respondia pela presidência da rnst & Young no Brasil. le substitui Julio Sérgio Cardozo, agora
responsável pela co-liderança e que está se prepara para a aposentadoria. |
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