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15/08/2006
As tecnologias já invadiram os meios acadêmicos. Conheça as vantagens
O avanço da tecnologia permitiu que o acesso à informação se tornasse muito mais rápido e fácil.
E, como não poderia ser diferente, o meio acadêmico também foi atingido pelas revoluções
ocorridas no mundo. O giz, o quadro negro, o caderno e os livros já não são mais as únicas
ferramentas utilizadas em sala de aula. Neste turbil ão de mudanças, tudo foi transformado. Desde
a maneira como professores e estudantes se relacionam, até a maneira de se lecionar.
Diante desta nova realidade, você deve estar se perguntando: "quais são os principais reflexos
destas transformações para a vida do professor e do aluno?"; e ainda, "como isso pode e tem
contribuído para a educação?". Nesse aspecto, ao contrário do que muitos pensam, a tecnologia
não é uma adversária, tampouco uma inimiga. Para os docentes mais antenados com a c amada
"era digital", ela se tornou uma poderosa ferramenta de trabal o. Naturalmente, os resultados
dependem da maneira como este instrumento será utilizado dentro e fora de sala de aula.
"A tecnologia surge para incrementar não só a carreira do docente, como também a de muitos
outros profissionais. E pode, sim, contribuir muito para o processo de aprendizagem. Porém, é
preciso saber explorá-la para obter bons resultados", afirma o professor e coordenador do curso de
Administração do IBMEC São Paulo, Sergio Lazarini. "Do mesmo jeito que aquela tonelada de lições
passadas na lousa pode ser cansativa e improdutiva, uma longa apresentação de slides também
pode", exemplifica.
"Herói da resistência"
Em meio à toda esta revolução tecnológica, ainda á professores que resistem - e têm muito
sucesso. Obviamente, em sala de aula, outros aspectos são levados em conta, entre eles a didática
e o con ecimento do professor. Um exemplo destes - talvez um dos mais expressivos, inclusive -, é
o professor de História da Moda da FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado) João Braga, que
evita o uso de qualquer tipo de tecnologia. Nada de celular, e-mail ou mesmo computador. "Lógico
que recon eço os benefícios destas ferramentas, mas não preciso delas para conduzir min as aulas
e a min a vida", conta o professor.
Nem por isso, no entanto, suas aulas deixam de c amar a atenção. Hoje, o professor coleciona um
número cada vez maior de "fãs". A comunidade "Eu amo o João Braga", no Orkut - criada por uma
de suas alunas - possui mais de 700 integrantes. Detal e: Braga con eceu o grupo por intermédio
de um aluno, pois nunca visitou o site de relacionamentos. "Confesso que min as aulas são
convencionais, com um único objetivo: torná-las mais umanas", aponta.
"Quando um professor é bom no que faz, não precisa de tecnologia alguma para deixar a aula
atraente, interessante e produtiva", garante a estudante do curso de Moda da FAAP Roberta
Oliveira de Mattos. "Uma boa aula precisa ter estas características, não importa como ela é
conduzida", conclui.
Desta forma, a criatividade do docente é a peça-c ave para transformar o sistema de ensino em
algo atraente e produtivo. E não á como negar que o uso das tecnologias tem contribuído muito
neste processo, porém não o suficiente. "Estas novas metodologias devem ser consideradas como facilitadoras da aprendizagem, mas jamais devem substituir a importância da informação e do
ensino", garante o educador, mestre em Ciências Humanas e especialista em inteligência e
cognição Celso Antunes.
Vantagens
Passar lição na lousa? Para que isto, se oje é possível utilizar o Datas ow e até os projetores para
transmitir todo o conteúdo de aula de uma maneira muito mais rápida? Certamente, a otimização
do tempo é uma das principais vantagens que a tecnologia vem proporcionando ao mundo,
inclusive, aos meios acadêmicos. O que é bom para o professor e para o aluno. Pois, além de
contribuir para o aprendizado, facilita na elaboração das aulas.
Segundo o professor Antunes, toda a aula tem uma informação que precisa ser transformada em
con ecimento. E para ele, a tecnologia pode reduzir o tempo deste processo de aprendizado. "Na
primeira parte deste procedimento, que é tornar visível e imediata a identificação da informação,
a comunicação eletrônica é muito útil. Isso porque, é capaz de reduzir o tempo desta etapa,
aumentando o da próxima, que é a mais importante: a transformação desta informação em
con ecimento, em que a figura do professor é fundamental", explica.
Além disso, os métodos de ensino convencionais já não agradam muito os alunos de oje. Para
conseguir despertar a atenção dos estudantes é preciso estar atento ao seu cotidiano e, mais,
integrado com as mudanças tecnológicas. Dada a proporção da situação, não seria impossível um
aluno "copiar" o conteúdo da lousa, que o professor demorou os cinqüenta minutos de aula para
passar, em apenas um segundo com um clique da máquina fotográfica acoplada a seu inseparável
celular. Assim, a utilização da tecnologia também tem servido como uma ferramenta estratégica
para aproximar o estudante da aula.
O aluno de Gestão de Sistemas e Informação da Unibero (Centro Universitário Ibero-Americano),
Edson Douglas da Silva, confessa que não gosta de copiar as matérias do quadro negro e que as
aulas convencionais não o agradam muito. "Os universitários trabal am o dia inteiro e já c egam na
faculdade, à noite, muito cansados. Por isso, as aulas precisam ser interativas e a tecnologia
facilita muito", argumenta.
Tecnologia a seu favor
Com tantas vantagens que a tecnologia tem proporcionado ao ambiente acadêmico o professor
Lazarini não quis desperdiçar a oportunidade de colocá-la em prática dentro de sala de aula. "O
que não quer dizer que ten a abolido o giz e a lousa", afirma. Sempre que necessário, ele recorre
aos artifícios da tecnologia para transformar as suas aulas mais produtivas e dinâmicas. "Uma
ferramenta sempre boa, desde que esteja fundamentada no princípio de facilitar a aprendizagem e
a motivação do aluno", aponta.
É importante destacar, porém, que certos cuidados devem ser tomados para não transformar a aula
em um s ow tecnológico, distorcendo o objetivo do ensino. "A tecnologia enriquece a aula, mas
não pode ser colocada à frente do conteúdo", diz Lazarini. "Muitos professores acabam abusando do
uso das tecnologias para encobrir a ineficiência e a falta de preparo. Ferramenta nen uma é capaz
de substituir a informação e o professor", ressalta. |
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