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06/11/2006
Aulas de inglês já migram para a web

Professores particulares usam MSN e Skype com os alunos virtuais

Filipe Serrano

Se a falta de tempo e o trânsito são obstáculos quase intransponíveis para quem quer aprender inglês, que tal experimentar aulas pelo MSN ou Skype? Nem sempre dá certo, mas, se o aluno for esforçado e o professor souber se adaptar às especificidades do ensino a distância, o resultado pode ser positivo.

"Nada substitui o cara a cara, mas a facilidade e a agilidade superam a diferença de não ver o professor", diz o empresário Leandro Oliveira Felizali, 34 anos, que começou a fazer aulas por Skype há três semanas.

As aulas online se baseiam tanto em conversas escritas ou por voz, em geral utilizando programas como o MSN e o Skype, que possibilitam se comunicar de forma instantânea e sem custos adicionais além da conexão à internet.

A principal vantagem é que não é preciso se deslocar para uma escola de inglês ou até a casa do professor particular. Além disso, há mais flexibilidade de horários. Por isso, quem tem optado pelas aulas virtuais são pessoas que trabalham muito e têm pouco tempo para estudar.

Para os professores, poder dar aula sem sair de casa e nos horários mais diversos resulta em economia para o aluno, já que uma aula particular via MSN ou Skype em geral custa menos do que uma presencial.

Assim como nas aulas particulares comuns, o aluno paga um valor por aula ou acerta um pacote. Os preços vão de R$ 22 por hora até cerca de R$ 300 por dez aulas, conforme o professor.

Os estudantes virtuais também se livram de estar em um lugar determinado na hora da aula. Não precisam nem mesmo estar na mesma cidade que o professor. Um dos alunos, Rubens Domingos da Silva, conta que uma vez estava na casa de um amigo na hora da aula. "Pedi licença para usar o computador por meia hora e não perdi o que já tinha pago. Do ponto de vista prático, foi ótimo", diz.

Para o analista de sistemas Patrick Machado, que viaja muito, as aulas por Skype foram uma salvação. "Tive que parar de estudar em uma escola comum por causa das viagens. Agora em qualquer hotel tem internet. Conecto o laptop e faço a aula", conta.

Patrick mora em Curitiba, mas faz as aulas cada dia em uma cidade. Seu professor, Marcos Carvalho, vive em São Paulo. Carvalho trouxe a idéia do Reino Unido quando voltou para o Brasil, em julho último. "Lá as pessoas não desconfiam tanto de cursos online como aqui", diz.

Com tantas promessas milagrosas do tipo "Aprenda inglês em seis meses", é difícil acreditar que um curso via internet possa dar certo. Por isso, os professores adeptos da aula virtual oferecem uma aula gratuita para os alunos ganharem confiança.

O repórter do Link fez uma aula experimental com o professor Renato Gomes (seeu11@msn.com) , de Belo Horizonte. A aula começou às 23h e durou quase uma hora. Foi uma conversa via teclado, que fluiu bem e ajudou a desenvolver a escrita coloquial em inglês.

Pelo MSN, aluno e professor se comunicam pelo teclado. O professor puxa um assunto e os dois conversam, escrevendo. "Vou induzindo o vocabulário e a gramática. O aluno adquire uma fluência de conversação e, ao mesmo tempo, é obrigado a pensar na estrutura da escrita", diz Renato.

Se precisar dar uma explicação mais complexa, ele liga o microfone e passa a instrução pela conversa de voz. Em alguns casos, pode enviar algum documento já preparado, sempre via MSN.

Renato começou a usar o programa para dar aulas porque um de seus bons alunos estava sem tempo, mas precisava melhorar a fluência. Então o professor sugeriu que fizessem uma aula comum e uma online por semana.

"Acho que o resultado foi positivo porque é um aluno esforçado e que já tinha uma base gramatical sólida. Não sei se daria certo com alguém com nível básico", diz.

Segundo Roberto Palhares, diretor da Associação Brasileira de Ensino à Distância (ABED), a falta de contato físico não diminui necessariamente a eficiência das aulas, mas ele qualifica a proposta de aulas particulares virtuais como "uma aventura".

"Depende muito do professor. Se estiver disposto, pode fazer um bom trabalho. Mas ele tem ter uma base pedagógica forte e avaliar a evolução do aluno", diz Roberto.

Já os alunos que optarem por fazer um curso virtual precisam ter disciplina para estudar sozinhas e não se distrair com TVs, rádio, internet e gente em volta.

O aluno Rubens da Silva concorda que é importante um ambiente silencioso para não haver interrupções: "Explico para o meu filho Igor (de dois anos e meio) "papai vai conversar com a professora, depois da aula papai brinca com você" e fico no quarto fechado no computador."

Ele é aluno de Liliane Coutinho, dona da escola de inglês por telefone By Telephone (www.bytelephone.com.br), que há cerca de três anos oferece aulas pelo Skype.

Métodos
Do mesmo jeito que cada professor tem uma maneira de ensinar, as aulas online de inglês têm suas diferenças.

O professor Marcos Carvalho (englishemcasa@yahoo.com), de SP, que tem 12 alunos, prefere usar o Skype devido à melhor qualidade das conversas por voz. Ele passa exercícios para os alunos resolverem oralmente, pede para lerem textos, ao mesmo tempo que ensina a gramática.

Para ele, não conhecer os alunos pessoalmente não é um problema. "Nem sei como é a cara do aluno. Mas isso torna a aula até mais objetiva e profissional", diz.

Alguns professores investiram tanto na idéia que criaram escolas online, com sites na internet que divulgam as aulas virtuais e disponibilizam material de apoio.

É o caso de Francisco Peinado, da Wording (www.wording.com.br), que conta mais de cem alunos de diversos Estados brasileiros. As aulas reúnem até quatro estudantes numa sala virtual do Skype. "Começou a vingar cerca de um ano atrás, mas a maior dificuldade mesmo foi treinar os professores a usar a ferramenta", diz animado com a experiência.

Guarde as aulas no seu PC

Filipe Serrano

Se você não quiser depender de um caderno para lembrar tudo que o professor passou, uma opção é usar programas que gravam as conversas de voz do Skype e do MSN.

Na internet, você encontra mais softwares desse tipo para Skype. São fáceis de usar e ocupam pouco espaço no PC.

Um deles é o PrettyMay (www.prettymay.net). A vantagem é que as conversas gravadas aparecem na tela do software e não é preciso abrir um programa de reprodução para ouvir as aulas.

As conversas são gravadas em MP3 (padrão) ou WAV. E é possível regular a qualidade do MP3 para que os arquivos fiquem com um tamanho menor.

A versão de testes grava até meia hora de conversa e o programa completo custa US$ 25.

O Skype Recorder (http://baixaki.ig.com.br/download/Skype-Recorder.htm) também grava automaticamente qualquer conversa do Skype e é totalmente gratuito.

O Power Gramo (www.powergramo.com) faz o trabalho tão bem quanto os outros. Quando você inicia uma conversa ele já começa a gravar, mas pergunta se você realmente quer guardar o áudio. Ele grava em OGG, que é um formato de música com código livre (sem patentes). Mas para escutar o OGG, você precisa de um codificador como o K-lite Codec Pack (http://superdownloads.uol.com.br/download/i22816.html).

Para guardar as aulas inglês do MSN, use o MSN Webcam Recorder (www.dvdwindow.com/msn/). A principal utilidade é gravar as imagens da webcam (de um amigo ou a sua), mas também dá para captar só as conversas por voz. Porém, ele grava em WMV, formato de vídeo do Windows Media Player.

Fonte: O Estado de São Paulo



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