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11/12/2006
O novo engenheiro

Tem sido, hoje, motivo de preocupação, por parte dos professores de engenharia das universidades brasileiras, o que o novo engenheiro precisa conhecer, tendo em vista as mudanças que estão ocorrendo no mundo. Há o fenômeno da globalização, que a todos trata iguais, sem que de fato o sejam.

Há a rapidez da informática, dispensando grande número de pessoas trabalhando. Há o domínio da telemática, que é o controle a distância, pelos satélites, da produção e dos processos que vão influenciá-la, como, por exemplo, o clima. Há o fascínio da bioengenharia, que faz do mistério da vida uma jogada de conhecimento prévio, sem surpresas.

Hoje, nos EUA, sabemos que há quatro diretrizes na vida de um novo engenheiro. Ele deve ser treinado para as grandes obras, grandes estruturas, grandes pontes, usando os novos materiais que estão à mão dos construtores. Ele deve saber como fazer a manutenção do que foi construído há quase um século, impedindo que o país deixe de crescer.

Ele deve conhecer o meio ambiente, como forma segura de um crescimento saudável, auto-sustentado e sem causar prejuízos irreversíveis à natureza. E finalmente, o engenheiro americano deve ter um comportamento ético, em suas relações sociais e humanas, para que não seja criticado ou acusado de interesses contrários ao bem coletivo. Infelizmente, o Brasil é um país atrasado.

Há lugares de tecnologia exemplar e há lugares em que viver remonta à colonização. Pelo menos um terço de sua população vive bem, trabalha sem medo do amanhã e desfruta de lazer digno e prazeroso. Os dois terços restantes vivem não se sabe como. Falta de tudo o que respeita a vida como ser humano e é um vexame para o terço de gente que passa bem e a quem nada lhe falta. O engenheiro brasileiro é diferente do americano, quando a gente percebe as tarefas que lhe cabem: habitação, saneamento, transporte, energia e urbanização, coisas com que seus colegas americanos não precisam se preocupar.

É, pois, um debate diferente o que hoje se faz na engenharia brasileira. não basta copiar o modelo americano, pois que o mesmo é necessário só a um terço da população. Nossos engenheiros devem, também, aprender o que fazer para atender aos pobres, com a criatividade voltada para o que é popular, e prontos para prestar-lhes os serviços de engenharia necessários ao seu bem-estar.

Esse mal-entendido decorre, em parte, de que a engenharia é uma profissão, como qualquer outra, exigindo três coisas fundamentais: capacitação, de que o homem sempre deve dispor, para servir ao próximo, trabalho contínuo e permanente, para quem se qualifica como profissional, e responsabilidade social, ética e penal para quem deixar de cumprir o que dele se espera.

Os professores das universidades só se preocupam com a capacitação dos seus alunos, esquecidos do trabalho, que hoje é um bem escasso e raro. Trabalho para o engenheiro só existe quando o País se desenvolve. Isto vai se dar quando o governo reverter as suas preferências, mostrando interesse por dois terços da população abandonada e a maioria de recursos for igualmente repartida pelos pobres, em habitação, saneamento, urbanização, etc.

Devemos estar preparados para esta mudança, que já começa a ser uma prioridade do governo. Os engenheiros brasileiros devem responder, com competência, ao desafio de tanta coisa por fazer. Então, não faltará trabalho para todos que, ansiosos, só esperam a vinda desse dia.

Jornal do Commercio, Recife PE

JAIME GUSMÃO



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